Sábado, 27 de Agosto de 2005

Onda...

(Se tu me levasses e eu pudesse ir, para onde tudo é nada
e onde ser é não existir...)



Onda que, enrolada, tornas,
Pequena, ao mar que te trouxe
E ao recuar te transtornas
Como se o mar nada fosse

Porque é que levas contigo
Só a tua cessação,
E, ao voltar ao mar antigo,
Não levas meu coração?

Há tanto tempo que o tenho
Que me pesa de o sentir.
Leva-o no som sem tamanho
Com que te oiço fugir!

(Fernando Pessoa)


(Img de: http://www.artmam.com)
Escrevinhado por gaivota da ria às 02:09
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005

Dança

                                     

                    Img de   artmam                          

Toque leve que entorpece
Que escraviza os sentidos
Impregna por entre a pele
Como turbulência inarticulada
Que os lábios humedece
Segregando insanos gemidos
Que redopiam em tropel
Trepam depois em escalada
Pela onda que aparece
Que os envolve assim unidos
E os cobre ébrios, lascivos
Imersos naquela vaga
Que leva e traz o momento
Adiando a madrugada
Flutuam para lá do tempo
Em valsa profusa e ritmada
Tocam juntos o firmamento
E imortalizam a alvorada.


Uma contradança, um tango, uma valsa? Não interessa, o que importa é a entrega à dança.
Escrevinhado por gaivota da ria às 00:35
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2005

Eu, aqui!




Finalmente, eu aqui! É que já não estava a gostar nada disto, eram os meu primos afastados e demais parentes a aparecerem nos blogs e eu? Que é isso? Reivindiquei e aqui estou. Sou a Nina, fui encontrada com os meus irmãos numa toca de árvore, mais própriamente num buraco de uma alfarrobeira já de muita idade, no campo, foi o local que a minha mãe escolheu, pronto. Depois eu e os meus irmãos como ninguém nos encontrava saíamos da "toca", íamos nos alimentando do que encontravamos pelo campo qual Mogli, Tarzan ou Robinson Crusoe. E foi aí que a minha dona me encontrou, os meus irmãos foram adoptados e eu vim parar à casa dela. Aqui, só ladro estas vezes por dia: 1º latido: quando ouço o carro da minha dona a dobrar a esquina, 2º latido: quando ela abre a porta do carro, 3º latido: quando ela mete a chave na fechadura da porta da rua, 4º latido: quando abre a porta de casa,por último: latidos múltiplos, saltos e lambidelas quando ela entra em casa. Haverá alguém que a receba assim? Não, não há!

Escrevinhado por gaivota da ria às 01:03
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2005

Sabia que...

O que aqui escrevo, hoje, foge um pouco ao retrato deste espaço mas como não tenho intenção de criar outro para assuntos diferentes, porque o tempo é pouco e a paciência idem, idem, junto-os neste, blog rudimentar, qual salada russa mas como numa desorganização pode nascer a criatividade vou esperando pela dita criatividade ironicamente esperançada, ela pode aparecer assim, inesperadamente, como o meu sorriso que me brinda às vezes...





(Não percebo o palavreado mas deve estar furioso...)




●Sabia que se viver no Algarve e necessitar fazer um ecodoppler(exame) aos vasos do pescoço e tiver como subsistema de saúde a ARS terá de se deslocar a Lisboa, caso contrário, paga perto de cento e vinte cinco euros porque não existem acordos para esse exame em nenhuma Clínica algarvia?

●Sabia que se viver no Algarve e necessitar fazer uma ressonância magnética poderá fazê-la pagando no acto cerca de duzentos e cinquenta euros, independentemente se é isento ou não? Se for isento e contemplado com a "choruda" reforma que é atribuída a quem trabalhou uma vida por conta de outrém(sim, porque se o subsistema de saúde é outro a conversa também é outra) terá de levar o dinheirito da reforma de um mês mais a parte de outra, nesse período de tempo não comerá, poderá recuperar essas refeições quando for reembolsado daí a seis meses ou mais(se for).

●Sabia que em Abril um Centro de Saúde pode marcar uma consulta para finais de Julho?

●Sabia que se estiver em Tavira e precisar dos serviços de Urgência do respectivo Centro de Saúde não poderá ficar doente nem ter qualquer acidente entre as 00h e as 8:00h do dia seguinte?

Poderia continuar: sabia que, sabia que... mas depois iria ocupar muito espaço e a leitura ainda ficaria mais monótona...



Escrevinhado por gaivota da ria às 23:32
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2005

Não sei viver sem ti

 

cartadeamor1.bmp

Eu, sem ti...Não durmo, não sonho e não vejo!
Eu, sem ti... Não sorrio, não choro e vivo sofrendo, para sempre!
Eu, sem ti... Não sou ninguém! Não tenho destino, nem tino!
Estou a ficar louco! Mas pouco a pouco, cada vez mais louco por ti!
Sim! Porque tudo o que faço e digo, o que penso, é em ti!
Eu não controlo a minha mente.
És a minha vida, o meu alimento e a minha fonte de água corrente.
És a minha energia, és tudo aquilo que me faz sentir gente.
Se quis que fosses minha no passado, muito mais te desejo no presente!
E quero-te no futuro, minha para sempre.
O tempo passou e a minha alma continuou viva e ardente.

G.B.


O G. não é de gaivota, não sou autora deste texto... :)




Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal.
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

De «Poesias de Álvaro de Campos»

Escrevinhado por gaivota da ria às 01:41
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